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domingo, 20 de abril de 2008

Um Relicário Imenso

Dorothy Tennant (1855-1926)
L'Amour Blesse 1895


Relicário


É uma índia com colar
A tarde linda que não quer se pôr
Dançam as ilhas sobre o mar
Sua cartilha tem o A de que cor?


O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou

E são dois cílios em pleno ar
Atrás do filho vem o pai e o avô
Como um gatilho sem disparar
Você invade mais um lugar onde eu não vou

O que você está fazendo?
Milhões de vasos sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor

Corre a lua porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite

Porque está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for

Quem nesse mundo faz o que há durar?
Pura semente dura: o futuro amor
Eu sou a chuva pra você secar
Pelo zunido das suas asas você me falou

O que você está dizendo?
Milhões de frases sem nenhuma cor.
O que você está dizendo?
Um relicário imenso deste amor
O que você está dizendo?
O que você está fazendo?
Por que que está fazendo assim?

Nando Reis



E quando reviramos o Relicário,
encontramos o que há de mais querido em nossas vidas,
protegidos até de nós mesmos.
Mas pra quê?
Pra lembrarmos quem fomos?
O que desejamos?
Quem amamos?
Resta-me uma pergunta: Por quê?

Alex Huche



Il Ratto de Proserpina de Gianlorenzo Bernini, 1621-1622,