quinta-feira, 8 de maio de 2008

No Way



No way for me




Menina levada dos olhos sapecas,

na calada da noite,

queria poder te dizer

coisas nunca ditas antes.

Meus olhos marotos lhe reservaram

o brilho do anseio de estar com você.

Quisera poder me entregar aos desejos,

mas, hoje, nossas almas adulteradas

guardam cada uma a sua história.

Tantos sonhos, tantos medos,

tudo num turbilhão de desejos,

fazem com que nossas vidas

se tornem mais intensas.

Teus lábios finos,

tantas vezes, despertam em mim

a vontade de tê-la em meus braços e

acariciá-la com toda a ternura

que se toca em uma flor.




Alex Huche

Minha Flor


Minha Flor

Se o ardor que o meu peito abriga
se dissipar como nos faz a vida,
terei a sorte se me restar a viga
que me segura com uma mão querida.
Se dos teus olhos me nascer o amor
verás como sumirá a dor,
e nos meus olhos ressurgirá a cor
e refletirá o brilho da mais linda flor.
Ah! Se eu pudesse transformar o agora,
eu te traria a mais linda aurora
para alegrar teus dias.
E quando a noite nos banhar, por fim,
eu te darei todas as estrelas
para iluminarem tua mais tenra beleza.
Alex Huche

terça-feira, 6 de maio de 2008

Chove Chuva!


Tempestade
Venha tempestade!
Tu que vens de longe,
molha meu rosto
e lava minha alma.
Traga-me a imensa energia
que carrega em teu corpo,
bagunce minha vida
e me acorde desse marasmo.
Venha Tempestade!
Afogue minhas mágoas
e abandone em teu rastro os receios
que habitam em meu peito.
Minha Tempestade,
não quero saber de onde vens,
só quero teu beijo em meus lábios
e teu suor a lavar o meu corpo,
trazendo-me o que chamam de amor.

Alex Huche

Os burros também amam


Amor de Burros

Tolo é aquele que se apaixona por um olhar,
mais tolo, ainda, é quem teme se entregar.
O ouro dos tolos é querer amar em segredo,
tem até o seu brilho,
mas não tem valor nenhum.
Eh... eu sei que não posso me envolver...
Eu sei... Eu sou um burro,
mas você é uma besta!
Eu te amo!


Alex Huche

domingo, 4 de maio de 2008

Faz Tempo


Chapa Quente

Amigo tua vida sem futuro,
de quem anda no escuro
sem querer nada enxergar.
Desperdiça a inteligência
de estar numa gerência
que não seja a do azar.
Não percebe que o furo
é achar que está seguro
por sempre se levantar.
Qualquer dia a iminência
de vinganças em pendência
pode vir te encontrar.
Não vai ter nada de puro,
o teu corpo rente ao muro
sem os olhos a brilhar.
Saia dessa com urgência
e aos teus peça clemência
por não parar de errar.

Alex Huche

Feito pouco tempo antes do meu querido amigo Claudinho ser morto.
- Aí moleque, fica em paz!

Tuba...



Se Liga!

Hei, irmão!
Não adianta fiscalizar o tempo passar,
pois, independente da sua vontade
ele vai seguir e tragar
todos os momentos da vida,
toda juventude, toda memória e beleza,
você não poderá detê-lo.
Aproveite esse segundo e repense sua vida,
construa algo de bom,
pois as coisas não surgem do nada,
e deixe que o tempo apague aos poucos
as feridas do coração.


Alex Huche
Ao meu querido amigo Tubarão, feito pelos idos de 1998

sábado, 3 de maio de 2008

E na Arcádia...


Pã, mais uma vez,
em confusão amorosa.
Sátiro tolo,
Atormentado por Eros,
não sabe o que é amar.
Corre Pã,
corre atrás da tua amada
ou corre para os teus sonhos,
só não fique parado.
Vai bode velho!
Vai se foder!

Alex Huche

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Odisseu II


Nau Frágil

Por tantas vezes velejei
em um mar doce e sereno,
senti a segurança que só se tem,
quando se controla as adversidades.
Preferi a calmaria de te amar em segredo,
pois, como era de se esperar,
o mar se agitaria em minha cabeça
trazendo um turbilhão de emoções.
Agora navego a deriva,
agarrado no tempo,
tal e qual um náufrago
com um destino incerto.
Espero que as estrelas me guiem
até que eu possa alcançar teus braços
e neles repousar carinhosamente.


Alex Huche

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Odisseu


Náufrago do Amor

Como Ulisses, investi sem medo,
com a maior das ousadias,
em uma epopéia cínica,
fechei os olhos
e aceitei o que viria pela frente,
com toda coragem para conquistar o amor,
não me preocupei com os arrecifes
e vi meus sonhos afundarem.
Naufraguei por tolice
e perdi o que tinha de maior valor.
Agora perdido me sinto vazio,
como os náufragos do amor.


Alex Huche

Estrela-do-mar


Estrela-do-Mar

Estrela pousada no fundo do mar,
você me impele a tocá-la,
mas meu medo não permite
que eu mergulhe fundo
nesse mar de incertezas,
e possa, por fim, trazê-la em minhas mãos.
Então, passo a contemplá-la
atento e carinhosamente,
sem que saiba, que fora do seu mundo
existe um sonhador
a admirar toda sua beleza.


Alex Huche

Ah moleque!


Moleque Mimado


Quero me deitar no seu colo
e sentir sua mão pequenina acariciar
o meu rosto, os meus cabelos, meu peito...
Quero um beijo quente,
de olhos abertos para que possa ver
o prazer que sinto ao beijar você;
Quero seus lábios macios a percorrer meu corpo;
Quero me deitar sobre o seu peito,
sentir o palpitar do seu coração
e o arquejo do seu corpo ao toque das minhas mãos;
Quero o que posso e o que não posso;
Quero lhe acariciar os seios
enquanto ronrona suave
ao ler um livro num banco de praça pública;
Quero o que os amantes desejam
com uma simples troca de olhares.
Ah! Como eu quero.

Alex Huche

Depois da Ventania...


A Brisa

Uma doce brisa toca meu rosto
E o tempo passa sem parar.
Cada segundo sem você
É um aperto a mais no meu coração.
Mas tudo segue, tudo vai.
O tempo não hesita em passar,
Mas quero cada segundo novo
Perfumado com o doce olor do seu corpo.

Alex Huche

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Tirando uma de Poe.

Benett


Nunca Mais

Não sei bem como tudo começou,
Talvez por capricho, talvez por desejo...
Sei lá!
O que vale agora, já que os caminhos seguidos,
de tão opostos, me dizem: “Nunca mais”,
tal e qual o corvo da desesperança no umbral?
E quando penso em nós dois...
- “Nunca mais”.
Desejo beija-la intensamente...
- “Nunca mais”.
Quero abraçá-la, sentir o seu cheiro...
- “Nunca mais”.
Quero acariciar suas coxas...
- “Nunca mais”.
Olhar nos seus olhos, sentir sua respiração...
- “Nunca mais”.
Transar calorosamente com você e então...
- “Nunca mais”.
- Corvo Filho da Puta!


Alex Huche

segunda-feira, 28 de abril de 2008

No início era o verbo (amar)...



Meus Olhos Bobos

Meus olhos bobos
riem à noite escura,
onde a lua e as estrelas
iluminam meus passos.
Meus olhos riem aos beijos
dos amantes felizes.
Meus olhos sorriem,
só riem,
quando se enchem de alegria
e ternura ao te ver.
Meus olhos riem ao que é belo,
riem ao amor
que dentro de mim busca crescer.
Meus olhos que riem,
riem para você.
Alex Huche

Dias depois...

Meus Olhos Bobos II – A Vingança

Meus olhos bobos
riem da noite escura,
que com a lua,
aceleram meus passos de pavor.
Meus olhos riem dos amantes felizes,
Que temem perder
o que nunca tiveram.
Meus olhos sorriem,
só riem,
pois não há nada a fazer.
Meus olhos riem
do que é belo e efêmero,
riem do amor que escraviza e tolhe.
Meus olhos que riem,
riem de você, que teme viver.

Alex Huche


sábado, 26 de abril de 2008

Metade de mim...





Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

Oswaldo Montenegro

Tantas metades, tantas partes,
tantos cacos, que no fim,
parece não caber no todo.
Acho que no fundo,
todo mundo é assim.

Alex Huche

Medusa



Medusa

Musa dos cabelos cacheados,
em cada fio uma serpente,
seu sorriso petrifica
aqueles que a contemplam
e de ti não podem fugir.
Oh Medusa!
És minha maior contradição,
pois, a tentação de encarar-te
é tão intensa,
quanto o medo de encontrar-te.


Alex Huche

Passarinho



Egoístas

Pra que prender um pássaro
que pousou em seu muro,
cantou em seu ouvido
e quis voar?
Às vezes, o que ele busca,
é poder correr o mundo
para tentar ser feliz,
até achar um lugar
para o seu ninho.
Deixe o pássaro voar,
não prenda quem te alegrou
e não quis ficar.

Alex Huche

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ogunhê!!!

A Fera

Um doce sabor nos meus lábios e

uma vontade imensa de transpassar o fogo

e atingir tua alma,

com os olhos e as mãos cerradas.

Uma estranha energia percorre o meu corpo,

incessante, inexorável, impassível... ódio.

E num rompante,vem uma explosão de fúria,

tão intensa e precisa,

sinto o prazer de ver o medo nos teus olhos.

Ah, nada é tão doce,

quanto o gosto de sangue na boca,

principalmente, quando não é o meu.


Alex Huche


Ogum, Orixá guerreiro, preparai meu corpo e meu espírito, para defender os fracos, reconhecer os justos e afastar o mal.



Placebo de Vida...

In her silent way, Joe Sorren



Placebo

É quando durmo que me percebo

perdida numa densa neblina,
descortinando fragmentos do que chamam vida.
O silêncio de outrora não existe mais,
Pois, em mim abriga o caos
que me forma, me reforma
e me sufoca de tanto mudar
me moldando, me destruindo
e me corroendo por dentro,
como se um bicho habitasse o meu peito
Mas, em fim, acordo,
forjo-me um sorriso no rosto
como o de quem vê mais uma vez
o correr do mês de agosto.
O tempo passa, as horas passam e a vida segue,
mesmo perdida em meio a neblina.

Pamela & Alex Huche



Da série a 4 mãos e dois teclados em dois Estados.